Entre opostos

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Imagem: Escultura "L'Impossible III", de Maria Martins (1894-1973)

Conectivos, aflitos, tradutores da própria angústia. A dança dos amantes, o oposto reduto de quereres na obra da escultora Maria Martins, que por alguns anos se relacionaria com M. Duchamp, na catalisadora Nova Iorque.

 

Entorpecer na primavera

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Não queria caminhar. Estava parada, aflita e atordoada com as borboletas.

Fez desenhos de giz, a cera grudou no concreto, seco pelo sol rasgante do interior.

Quase alçou o céu de setembro, com a sede de eterna primavera.

 

 

*Ilustração - por Mathiole.

Ilustrar.

Entre o design de elementos, a arte de Mathiole.

Brincar com as cores, com o imaginário.

Mais sobre: http://www.mathiole.com/website/

 

Pulso Iraniano

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* Foto de Bahman Halali, um dos fotógrafos mais importantes do país

Produção nuclear, apedrejamento, controle social. Nenhum destes termos suprime a tradição milenar do Irã no campo das artes, a força motriz que mantêm atentos artistas criadores em meio ao contexto turbulento.

Seguindo os temas Espírito de Celebração, Mulheres, Guerra e Tradições, a mostra entitulada "Pulso Iraniano", com curadoria de Marc Pottier, distribuirá estilhaços da arte contemporânea iraniana por meio da poesia, fotografia e cinema pelas galerias do Oi Futuro, no Rio de Janeiro, de 13 de setembro a 30 de outubro.

Um dos destaques da mostra, é a poesia, que tem em Shamsuddin Hafez, seu ícone lírico e místico, escrito em persa decassílabo. Seus poemas, quase mais pops que o Alcorão, tornaram-se um oráculo para gerações de iranianos através de interpretações místicas do divino e de críticas às regras sociais hostis vividas desde outros tempos, cantadas por bandas de rock e representadas por diferentes vertentes das artes plásticas. Assim, partiu Zoroastro.

Replay para Gandhi

Anna

 

Anna Hazare: um novo ícone de uma Índia que anseia mudanças, ou uma versão adaptada de Gandhi? 

 

Superando um período depressivo após servir ao exército na Guerra entre Índia e Paquistão na década de 60, Hazare reergueu-se inspirado em um livro do poetafilósofo Swami Vivekananda. Foi na pequena aldeia de Maharashtra, que Hazare iniciou-se como ativista social, líder comunitário e gestor de questões sociais. Com grande parte das terras ao redor de Ralegan Siddhi, sua terra natal, propensa à seca, Kisan Baburao Hazare desenvolveu o sistema de pequenas barragens que acumulavam a água das chuvas. Incentivando a população a plantar árvores  tornou o solo mais firme para o cultivo, em um momento em que a desnutrição assolava seus compatriotas. Implantou o sistema de energia solar, rompendo com a dependência à eletricidade em débito na Índia.Após uma série de escândalos envolvendo corrupção no governo, parece que a classe média indiana está disposta a apoiar as ações de seu novo líder moral, que encerra 12 dias de greve de fome e conquista algumas brechas na legislação anti-corrupção do país. Novos desafios suscitam dúvidas em uma nação que cresce economicamente 8% ao ano e que ainda reserva contracensos sociais gritantes. 

 

 

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Cine-Mao

China

 

A China vermelha de Mao, das relações trabalhistas, do excesso e das tradições, que em outros tempos conseguiu unificar seu extenso solo e expelir o imperialismo estrangeiro continua sua transição polêmica.

Dos 18 filmes submetidos para análise da comissão de censura do país nissin para o II Brazil Film Fest, apenas 9 passaram pela prova de ferro.

O "Bandido da luz vermelha", de Rogério Sganzerla é um dos títulos reprovados para a mostra, que contará com 3 animações infantis e "Malu de Bicicleta", adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva para entreter nossos conterrâneos da terra de Mao, de 4 a 8 de novembro em Pequim, e de 11 a 13 em Xangai.

 

Sombras

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Perdeu-se entre as ruas úmidas. Era ali entre o tilintar de passos que ele aproveitava para amassar as páginas rascunhadas.

Letras esvaziadas pela incompreensão, letras clarificadas pelo brilho da noite.

Não existiu dia, nem ópio que aplacasse o sonho.

Não tinha gênero, nem pressa para a vida.

Não via cortejo, nem vaga anestesia.

 

* Foto - Brassaï

Fotógrafo francês de ascendência húngara, Gyula Halász, ou "Brassaï", ficou conhecido como o fotógrafo da noite, por retratar a Paris noturna dos anos 30, e seus personagens cotidianos e atípicos. Sua exposição chega ao Brasil no Museu Nacional de Brasília, a partir do dia 02 de setembro.

 

Infância adormecida

James Mollison nasceu no Quênia mas ganhou roupagem inglesa. Criou através de suas lentes um relato das disparidades entre mundos em seu ensaio entitulado "Where Children Sleep". Percorrendo divergentes realidades entre Brasil, Quênia, Senegal, Japão, Cisjordânia, Nepal, China, e Estados Unidos, o trabalho de Mollison recria um mix de publicidade e documental, revelando o universo infantil através do espaço em que as crianças vivem sua relação mais intimista: o quarto.

 


Mais sobre o trabalho de James: http://www.jamesmollison.com/

Floating Flowers

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"Sleep Elevations" - cenário dissipante entre o onírico e o lúdico.

Leve, quase leviano, nos faz flutuar com a sutileza de um respiro - fotográfico, feminino e efêmero.

 

*Fotografia de Maia Flore - http://www.maiaflore.com/

Um livro para aplacar a dor

Furrer

 

"My Piece of Sky: Memories of Child Sexual Abuse", livro-projeto idealizado por Mariella Furrer, busca fundos para concretizar seu trabalho documental sobre o abuso de menores. Através da fotografia, da arte e de entrevistas, este ensaio-relato constrói um registro de dor, um grito ao mundo, contando parte das memórias de crianças vítimas do abuso sexual na África do Sul, e o trabalho delicado de quem tenta protegê-las. 

http://www.mariellafurrer.com/

 

 

 

A partida, ou o início da luz sobre a estrada.

O tempo é o mensageiro dos sentidos. Carrega os fatos, o  som, o movimento. 

Cada partida é um eterno retorno. Voltar para si, traduzir símbolos e ser indolor.

Por apenas segundos deixamos a cor do dia, a volúpia da noite ceder ao universo. 

Há uma ponte em cada esquina da vida. A ponte que move o porto, sem rastros medidos.

Deixar o porto flutuar, com ritmo oscilante e puro.

 

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*Ilustração - Gabriel Lueders

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